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Ensino e Formação. Recursos Humanos Jovens



O desenvolvimento da maioria das sociedades faz-se a partir de diversos mecanismos institucionais, contudo, quaisquer que sejam as estratégias, a inclusão da educação, da formação e do emprego são indispensáveis: quer para o indivíduo; quer para a família; quer para a comunidade.

O investimento nos recursos humanos será, porventura, o que a médio prazo mais benefícios proporciona e, quanto mais cedo se adotar esta metodologia na vida das pessoas, mais rapidamente se conseguirá alterar mentalidades, alcançar os objetivos que as comunidades modernas desejam, e que se consubstanciariam: em bem-estar geral, no bem comum, enfim, na tranquilidade e na felicidade das pessoas.

As gerações mais novas, ainda relativamente inexperientes, que continuam, inclusivamente, a sua formação biopsíquica, são as que mais direta e rapidamente devem beneficiar dos efeitos positivos do sistema educativo, este, devidamente estruturado para preparar os futuros trabalhadores, parceiros familiares, dirigentes políticos, empresários, interventores ativos na sociedade.

Nesse sentido, as finalidades do sistema educativo devem estar ajustadas a objetivos, ideais, princípios, valores, cultura própria e universalização dos conhecimentos, tendo em vista um mundo cada vez mais globalizado, porque: «A educação tem por função socializar, integrar as gerações imaturas na sociedade e no meio especial a que se destinam. Tem, pois, uma função de ajustamento social. Ao mesmo tempo, ela desenvolve a sociedade em geral e os indivíduos em particular, sendo, portanto, um processo de desenvolvimento social.» (TORRE, 1983:232).

Igualmente e logo que adequado, um novo investimento, aquele que prepara o jovem para a vida ativa produtiva, deve ser realizado. Trata-se da formação profissional, com uma vertente técnico-científica mais aprofundada, embora sem descurar, em nenhuma circunstância, a dimensão sociocultural, ou seja, facultar uma formação integral, de tal forma que o jovem-cidadão, ao entrar no mundo ativo, extremamente dinâmico, competitivo e evolutivo, não tenha muitas dificuldades em se enquadrar com sucesso.

É evidente que a formação profissional, pela via das Escolas Técnico-profissionais e/ou a preparação técnico-científica pela via das Universidades e Institutos Superiores Politécnicos, são caminhos que se podem complementar, na medida em que muitos cursos superiores, praticamente, não proporcionam aos jovens licenciados uma colocação imediata, no mercado do trabalho e, neste quadro, uma formação prática, numa área adjacente e/ou especializada pode ser uma boa solução, a curto prazo.

Decorrido o período de educação formal tradicional, de formação profissional e de um estágio adequado, surge a fase da vida do jovem, talvez a mais complicada, pelo menos nos tempos atuais, e para a maioria deles, que é a busca e a obtenção de trabalho, digno e compatível com as suas capacidades, conhecimentos teóricos, práticos e socioculturais, entretanto adquiridos.

É incompreensível que se exija a um jovem recém-formado, experiência numa determinada área profissional, mesmo que seja de curta duração, porque tal, na maioria das situações académicas, não se verifica, para além dos denominados estágios curriculares e, no final dos cursos, os estágios profissionais. Alguém, alguma entidade, deve assumir o compromisso de facultar os estágios profissionais de integração na vida ativa, nomeadamente os diversos departamentos do Estado e as Empresas.

Pela análise dos preceitos constitucionais, cabe ao Estado proporcionar aos cidadãos um conjunto de bens e serviços, que conduzam a uma vida condigna, designadamente ao nível da educação e formação profissional, saúde, habitação, transportes, segurança social, entre outros, como o apoio no desemprego e a proteção na velhice. A Administração Pública do Estado desenvolve-se a vários níveis: central, regional e local.

Importa, agora, refletir sobre o papel do Poder Local Democrático, na intervenção que pode (e deve) ter no contexto da educação, formação e emprego dos respetivos munícipes, tomando aqui um conceito de trabalho, entre muitos outros possíveis, como sendo: «O exercício da atividade humana com uma finalidade utilitária: produzir, transformar ou transportar uma coisa. Adapta os bens da natureza às necessidades humanas e os transforma em utilidades económicas. (…)

O trabalho deve ser tratado, não como uma mercadoria, mas como uma expressão da pessoa humana. Todo homem presta seu esforço ao processo produtivo. (…). Daí que o trabalho humano, por ser uma prestação do tipo pessoal, tem uma relação de supremacia sobre os outros fatores de tipo material, completamente acima do capital.» (GALACHE-GINER-ARANZADI, 1969:271-72).

A intervenção do Executivo Municipal, nestes domínios, pode revelar-se fundamental: concretamente no sucesso pessoal dos seus munícipes em geral; e, particularmente, para os jovens. Integrar nos objetivos e estruturas municipais, os recursos necessários, para ajudar os jovens a prepararem-se para o futuro, com especiais preocupações para tudo o que possa beneficiar o bem-estar da população concelhia, constitui um ato da boa gestão moderna que, antecipadamente, planeia e prepara os períodos vindouros.

Não será, apenas, com medidas pontuais e avulsas que se acautelam os interesses das gerações que, brevemente, terão de substituir os atuais dirigentes e proporcionar uma velhice condigna às gerações mais idosas. Por isso, o projeto de educação-formação destes jovens tem de contemplar, também, os valores ético-morais, no sentido da construção de uma sociedade que se orgulhe dos seus antepassados e das gerações que estão terminando a sua intervenção, neste mundo terreno, pelo menos no tocante à intervenção produtiva, mas também que tenha esperança nesta juventude que agora se prepara.

Os Planos de Atividade e Orçamento, bem como as Grandes Opções Estratégicas de Desenvolvimento, ao nível do Poder Local Democrático, são os instrumentos que, por excelência, neles se incorporam este tipo de projetos, para que se possa apoiar os jovens no seu ingresso no mundo do trabalho, após o cumprimento das obrigações escolares e de formação profissional e, eventualmente, os compromissos militares.

Neste âmbito, a Câmara Municipal terá algumas facilidades, para em parceria com as Juntas de Freguesia e as entidades públicas competentes, nesta matéria, organizar os respetivos serviços, instituindo incentivos de diversa natureza – financeiros (reembolsáveis, ou não), orientação administrativa, isenção de certas taxas e licenciamento para instalação de estabelecimento próprio para o jovem, bolsas de estudo e prémios de fim-de-curso, para fixação dos recém-formados na área do Concelho e outras medidas, eventualmente, propostas pelos interessados.

Instituições e seus dirigentes têm, portanto, uma responsabilidade enorme, quanto à preparação dos jovens e consequente qualidade de vida das populações. O futuro, que já se iniciou, possivelmente com grande atraso, depende das medidas que são tomadas no presente, independentemente de os resultados positivos surgirem, ou não, em determinado período dos diversos calendários: político, religioso, empresarial, cultural.

O envolvimento comunitário e a sensibilização que for incutida aos jovens, para as questões de natureza social, constituem dois importantes fatores para um futuro promissor para as gerações mais novas.

Bibliografia

GALACHE – GINER – ARANZADI, (1969). Uma Escola Social. 17ª Edição. São Paulo: Edições Loyola

TORRE, Della, (1983). O Homem e a Sociedade. Uma Introdução à Sociologia. 11ª Edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional


Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
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