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Gerações do Futuro



Ao longo do período da História da Humanidade, as gerações sucedem-se, normalmente, e cada uma tem os seus princípios, valores e sentimentos, em algumas delas, idênticos aos que lhes foram transmitidos pela família, pela Igreja, pela escola, pela empresa, pela sociedade e, em outras gerações, a formação axiológico-sentimental obedece a agentes socializadores não-tradicionais, eventualmente, marginais à própria cultura autóctone.
Vive-se a era das Tecnologias da Informação e da Comunicação. Hoje, 2021, pode-se afirmar que se torna praticamente impossível viver sem estas tecnologias e são, precisamente, as novas gerações que dominam este novo, fantástico e audacioso mundo. A privacidade vai sendo posta em causa, os excessos cometem-se com uma frequência impressionante, designadamente através das denominadas redes sociais.
Indiscutivelmente que a internet se tem revelado um instrumento de comunicação, de investigação, de divulgação de descobertas científicas, de localização de pessoas, lugares e espaços físicos em qualquer parte do universo, enfim, um mundo de possibilidades para a informação circular e chegar praticamente a toda a gente, em tempo real.
As novas gerações, quer no presente, quer num futuro muito próximo, como que invadem o mundo, estando presentes em qualquer canto do globo, conversando, enviando e recebendo informação, atualizando-se a propósito de qualquer assunto, acedendo a matérias que em muitos casos ainda não chegaram ao conhecimento de todas as pessoas. A informação é tanta, tão diversificada, e sempre em crescendo que se torna praticamente impossível estar razoavelmente atualizado, mesmo em domínios em que possamos ser especialistas.
Interessa, portanto, analisar até que ponto este mundo fantástico das tecnologias da informação e da comunicação, tem impactos positivos para a reconstrução de um futuro melhor para a humanidade, nesta se incluindo, obviamente, todas as gerações, cabendo aqui enfatizar as que se preparam para conduzir a sociedade, num futuro muito próximo, aos mais elevados níveis de bem-estar, no respeito pelos seus antepassados e pela cultura herdada.
Evidentemente que, como tudo na vida, sempre haverá aspetos positivos e negativos nestas tecnologias, que cada vez são mais utilizadas, por todas as gerações, naturalmente com mais habilidade e eficácia pelas mais novas, que dominam na perfeição todas as funções, e rentabilizam ao máximo as inúmeras potencialidades, com resultados espetaculares.
Acontece que as novas gerações ao deixarem-se assoberbar tão intensamente pelas tecnologias, por vezes, esquecem outras atividades, compromissos, princípios, valores e sentimentos, tão necessários numa sociedade complexa, que vive em permanente conflito, com diversos problemas que, para a maioria, as agruras da vida vêm colocando e que os computadores, por si sós, não resolvem e quando solucionam alguma situação, é necessário que lhes sejam fornecidos, corretamente, todos os elementos, com sentido e perspetivas humanas.
Portanto, não basta a estas novas gerações, dominarem, na perfeição, as tecnologias modernas e do futuro, se não forem preparadas numa cultura axiológica ao serviço da dignidade das pessoas; é insuficiente modernizarem equipamentos, infraestruturas, metodologias e outros recursos se não estiverem sensibilizadas para detetar, compreender e resolver os verdadeiros problemas das pessoas: é inadequada qualquer preocupação de natureza quantitativa, no tocante a alcançar objetivos, se não houver uma predisposição para motivar colaboradores, para avaliar correta e justamente, sabendo distinguir quem é merecedor de prémio e quem não o é, numa determinada atividade, ou num contexto específico.
As gerações mais novas, que atualmente já ocupam lugares importantes de chefia, direção, administração e outros altos cargos, não podem ignorar os testemunhos do passado, não devem rejeitar as sugestões, as boas-práticas de quem já exerceu idênticas funções, porque será no caldeamento de conhecimentos, experiências e novos instrumentos de trabalho, conjugadamente com diferentes conceitos e objetivos, que se alcançam melhores resultados.
Pelo facto de alguém ter conhecimentos, experiências, bons resultados numa dada função, cargo, departamento ou instituição, isso não pode ser utilizado como uma espécie de “arma de arremesso de superioridade profissional”, bem pelo contrário, quem estiver em tais condições, o que deve fazer é, com toda a humildade, ensinar quem não sabe, (jamais perseguir, reprimir, castigar) de forma pedagógica, humana, sem humilhar ou magoar a sensibilidade de quem sendo mais limitado, ainda assim, deseja e esforça-se por aprender.
É fundamental acreditar-se nas potencialidades, na generosidade e no voluntarismo das novas gerações mas, por sua vez, estas também devem respeitar a ancestralidade, porque é no passado que vamos beber tudo o que é necessário, para vivermos um presente efémero e construir um futuro, este sim, com menos erros dos que foram cometidos no pretérito, até porque, por mais avançadas que a ciência, a técnica e a tecnologia estejam, sempre vai haver um desconhecido, algo para se descobrir e/ou redescobrir, adaptar e/ou readaptar.
Justifica-se que as novas gerações se preocupem com um certo dinamismo intelectual, com uma determinada personalidade, sempre em evolução, para o bem, se se preferir, a flexibilização de análises, de decisões, de comportamentos, no sentido de se resolverem, adequada, com justiça e humanismo, exatamente, os problemas que afetam as pessoas e não, como por vezes acontece, agravar situações, conflituar por mera obstinação, apenas e tão só para demonstrar o poder de subjugar, humilhar e destruir os seus semelhantes.
A sociedade, extremamente complexa, em que estas novas gerações vão desenvolver as suas atividades: familiares, académicas, profissionais, políticas, religiosas, sociais, associativas, enfim, grupais, entre outras possíveis, certamente que lhes vai exigir muito mais do que recebera das gerações anteriores, aliás, nem de outro modo poderia ser, considerando que o que mais se deseja é o desenvolvimento sustentável, justo, harmonioso, em que os valores da solidariedade, da amizade, da lealdade, da liberdade, da igualdade e da segurança, entre outros, se tornem efetivos, estáveis e em permanente aplicação.
A coesão entre gerações poderá ser o segredo para se constituir uma sociedade mais justa, mais dinâmica, também mais evoluída no sentido do desenvolvimento sustentável, embora sempre em progressão positiva. Ninguém tem nada a perder com a união das gerações, pelo contrário, isso permitirá reforçar os laços de solidariedade, de amizade, de respeito, consideração e tolerância, até porque os mais idosos têm um débito para com os seus antepassados, assim como, e por razões semelhantes, as gerações do futuro terão muito para agradecer a quem lhes possibilitou, por exemplo, ocuparem posições de relevo na sociedade.
Naturalmente que também se pode constatar e, em algumas circunstâncias, com muita razão, diversas situações a que nos conduziram algumas gerações que precederam as atuais, por erros cometidos, por estratégias desajustadas, por objetivos nem sempre alcançados, enfim, por dificuldades que, atualmente, se fazem sentir em diversos setores da sociedade em geral, e mesmo ao nível individual.
Novos paradigmas societários estarão, porventura, na inteligência, generosidade e determinação das gerações futuras, porque elas saberão o que será melhor, quer para elas mesmas, quer para os seus progenitores, e não será facilmente crível que desejem uma vida indigna para os seus pais, avós, parentes, amigos e colegas, sabendo-se, também, que em parte, a postura das gerações que hoje se preparam para comandar o mundo, dependerá muito dos princípios, valores e sentimentos que, no presente, lhes forem sendo transmitidos pelas mais diversas instituições: família, Igreja, escola, empresa, comunidade.
É verdade que nas últimas décadas o regime democrático tem apostado muito na educação, na formação, na valorização pessoal e profissional, contudo, talvez, não tanto como deveria, por isso o reforço nas políticas educativas e de formação profissional, ao longo da vida, seja o rumo certo a seguir, para que um dia as gerações que agora se aproximam do “final da linha da vida”, possam usufruir de um pouco mais de conforto, de segurança, de tranquilidade, a todos os níveis.
Por tudo quanto aqui fica refletido, poder-se-á considerar crime lesa-dignidade, da pessoa humana, quaisquer medidas, normas, regulamentos, leis que coerciva e desumanamente retirem direitos adquiridos com tanto esforço, sacrifício e, inclusive, despesa. As gerações do futuro deverão ter tudo isto em atenção, para que um dia não lhes venha a acontecer o mesmo, o que certamente, não iriam gostar.

Apanhados de surpresa, entre os fogos de uma guerra cruel, desumana e, a todos os títulos, inaceitável, imploremos a Deus e aos homens, para que o sofrimento de milhões de seres humanos, termine definitivamente. Tenhamos a HUMILDADE de nos perdoarmos uns aos outros, porque o PERDÃO será o único “Valor Axiológico” que deixaremos às Gerações Futuras. GLÓRIA À UCRÂNIA.

Alimentemos o nosso espírito com a ORAÇÃO e a bela música:
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https://www.youtube.com/watch?v=Aif5s90rxoU
https://youtu.be/DdOEpfypWQA https://youtu.be/Z7pFwsX6UVc


Venade/Caminha – Portugal, 2022
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
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