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Noivado, antecâmara do matrimónio



Culturalmente, em certas sociedades, entre o namoro e o casamento, haverá um outro período, em que o casal de namorados experiencia uma nova vivência, que. Tradicionalmente, se pode designar por noivado. Acredita-se que este ciclo já é a antecâmara do casamento, em que se acertam pormenores, se confidenciam situações, se afirmam e clarificam desejos. Também nesta época se deve consolidar o conhecimento recíproco, sem sombras, sem passados duvidosos. É o tempo de tudo clarificar, definitiva e assumidamente.
O noivado é, portanto, o primeiro passo para o casamento e, nesse sentido, é necessário que seja encarado como uma espécie de “ensaio geral”, de resto, ainda em relação ao noivado admite-se que: «Há quem imagine que vem a ser um jogo romântico ou um passatempo divertido, como qualquer outro, ou uma vaga de ‘sentimentaloide’, aventura para satisfazer a descoberta do coração que se abre para um mundo desconhecido. Nada disso merece o qualificativo de noivado. O que entendemos aqui por noivado é o trato particular, assíduo e sério de um jovem com uma jovem que normalmente costuma acabar em casamento.» (GUERRERO, 1971:31).
Estipulou-se para os namorados um determinado percurso, que culminaria numa situação que, felizmente, ainda é desejada por muitas pessoas, certamente jovens, mas não só, porque se tem entendido o casamento como mais um patamar para a felicidade, para a família, para a responsabilidade conjugal, para a fundamentação da sociedade.
Mas nem todos os namoros e noivados se consolidam no casamento, porque uma outra consequência também é possível: a rutura, quantas vezes com especial dramatismo e violência, ao ponto de se verificar um desfecho fatal, para ambos ou para um dos namorados. Eventualmente, não terá havido total abertura, lealdade e reciprocidade.
É interessante, agora, abordar-se o namoro na perspectiva da amizade íntima, entre duas pessoas, que ao longo de um relacionamento geram uma simpatia salutar, que depois se transforma numa amizade sincera e, finalmente, surge o verdadeiro “Amor-de-Amigo”. Aqui já se pode aceitar, perfeitamente, sem qualquer receio, e neste contexto muito especial, que: «Amar não é apoderar-se egoisticamente. É viver uma atitude de dádiva desinteressada. Amar é também receber. Humildemente, agradecidamente. E isto, às vezes, é mais difícil do que dar. O amor é o intercâmbio de dois seres em tudo. Amar é compreender. Amar é sentir-se responsável pelo outro e conduzi-lo desinteressadamente. É abrir-se ao serviço do outro.» (Ibid, 1971:22-23).
Todos os anos, a catorze de fevereiro celebra-se o “Dia dos Namorados” e também, todos os anos, a trinta de julho se comemora o “Dia do Amigo”, da amizade. A conjugação das duas figuras: namorado e amigo, pode resultar numa nova situação intermédia, cujos sentimentos até se enquadram, entre o namoro e o casamento, que não são incompatíveis com os valores do matrimónio, porque este novo sentimento tem a suportá-lo: amor, fidelidade, entrega, respeito, compreensão, tolerância, solidariedade, reciprocidade, companheirismo, doação.
Aceite-se, portanto, sem reservas nem preconceitos, uma nova noção de namorados, na perspetiva de uma amizade sincera, solidária, leal, recíproca, em que tal afeição se transforma num genuíno “Amor-de-Amigo”, que realmente é possível cultivar e consolidar e, com base neste sentimento tão nobre: regular as relações de quem realmente se quer muito bem; de quem se gosta sem reservas; com respeito pela honra e dignidade pelo outro; de quem nos orgulhamos e com quem partilhamos alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, projetos, desejos, aflições na vida, dificuldades: familiares, profissionais e sociais.
Este dia dos namorados, que S. Valentim, pelo seu exemplo, apadrinha, é, perfeitamente, extensível aos amigos que se enamoram no âmbito de uma amizade íntima, em que o respeito prevalece, a consideração, a estima, o carinho, o estar do lado do amigo, incondicionalmente, em quaisquer circunstâncias, é o denominador comum aos dois, e o limite para este amor muito especial é balizado pelo respeito e pela felicidade do outro.
Ser e ter um amigo, nestas condições, é maravilhoso. Pode-se afirmar que um amigo assim é um privilégio que não está acessível a qualquer pessoa, é uma dádiva divina, que se deve preservar, com total carinho, preocupações pelo bem-estar desse amigo, cumulando-o, sempre de atenções, gentilezas, amabilidades sem fim. É, comparativamente com muitas situações de namorados e matrimónios, muito mais sólido, mais genuíno, mais sublime.
É pertinente, incluir aqui, algumas frases, tão célebres quanto dignas de reflexão, a propósito da amizade e dos amigos: «Quando defendemos os nossos amigos, justificamos a nossa amizade.» (MARQUÊS DE MARICÁ); «Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.» (CONFÚCIO); «A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.» (PLATÃO); «Ter muitos amigos é não ter nenhum.» (ARISTÓTELES); «Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.» (SÓCRATES); «Dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade.» (CÍCERO); «A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.» (MILLÔR FERNANDES).

Bibliografia.

GUERRERO, José Maria, (1971). O Matrimónio Hoje, à Luz do Vaticano II, Tradução, José Luís Mesquita, Braga: Editorial Franciscana.

«Protejam-se. Vamos vencer o vírus. Cuidem de vós. Cuidem de todos». Cumpram, rigorosamente, as instruções das autoridades competentes.
As “benditas” vacinas começaram a chegar. CALMA. Já se vê a luz ao fundo do túnel
Acreditemos nos Investigadores, na Ciência, na tecnologia e instrumentos complementares.
Agradeçamos, a quem, de alguma forma, está a colaborar na luta contra a pandemia, designadamente o “Pessoal da Linha da Frente”
Estamos todos de passagem, e no mesmo barco. Aclamemos a VIDA com Esperança, Fé, Amor e Felicidade. Tenhamos a HUMILDADE de nos perdoarmos uns aos outros.
Alimentemos o nosso espírito com a ORAÇÃO e a bela música. https://youtu.be/rgKKtfjb-dE


Venade/Caminha – Portugal, 2021
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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