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Homenagem a um Ilustre Português



Felizmente, não é “todos os dias” que se participa em cerimónias fúnebres de altas individualidades, na circunstância, um funeral de Estado, em Portugal, contudo, sabendo que ninguém é “dono da vida”, portanto, o mesmo é dizer que a morte não seleciona: estatutos, idades, intelectuais ou analfabetos, crentes e não-crentes, a verdade é que, por regra e pela lei da própria vida, os mais idosos estarão sempre na “linha da frente” para, fisicamente, deixarem este planeta em que habitaram durante um certo período de tempo.
No nascer, como no morrer, em termos fisiológicos, todos somos iguais, sem dúvida, porém, há quem nasça em “berço de oiro”, logo, à partida, provavelmente, com a vida muito facilitada e, também há os que vêm ao mundo nas mais diversas e incríveis situações, nomeadamente: em condições de extrema pobreza, sem quaisquer apoios, inclusive, materiais, para poder vir a sobrevir com a dignidade que é devida a toda a pessoa, verdadeiramente humana.
De igual forma, também todos, mais tarde ou mais cedo, na vida, morremos fisicamente e o que se segue neste desfecho fatal, não é igual, nem poderia ser, eventualmente, para todos. Há pessoas que morrem, praticamente, sem toda a assistência médica, medicamentosa e humana, debaixo de um vão-de-escada ou de varanda, na rua, ou até em casa, isoladamente e, só decorridos dias, ou meses, é que os seus corpos são descobertos. Triste realidade que afeta muitas pessoas anónimas.
Mas o mundo, a sociedade, as famílias, as pessoas, individualmente consideradas, compõe-se do melhor e do pior, sendo impossível, inclusivamente, até por uma questão de mérito, este nos seus diversos conceitos, em função da participação que cada pessoa tem, ou teve, na comunidade local, nacional e internacional, que, obviamente, é diferente daquela outra que se acomodou a uma posição mais ou menos segura, mais ou menos egoísta.
O mérito é, naturalmente, um instrumento ético, moral e justo, quando merecido e reconhecido pela generalidade de uma classe, na circunstância, sociopolítica, de um povo e da comunidade internacional. É preciso ser-se honesto, justo e humilde para se reconhecer que certas Mulheres e Homens são exceções positivas, em quaisquer domínios das atividades humanas, e se elogiamos, premiamos e nos sentimos orgulhos, porque um ou outro concidadão atingiu expoentes máximos de credibilidade e reconhecimento internacionais, numa determinada área da ciência, da tecnologia, das artes, da cultura, do desporto, da política, da religião ou quaisquer outras, só temos é de nos congratularmos.
É óbvio que só não comete erros quem não se envolve em nenhuma atividade, afirmam algumas pessoas. Mas será mesmo assim? Talvez não, porque se todos temos o dever de participar na vida ativa da comunidade, ao não fazê-lo, estamos a cometer um erro grosseiro e grave, inclusive de puro comodismo e egocentrismo. Então, nesta perspetiva, todos erramos.
No passado dia dez de janeiro, de dois mil e dezassete, ocorreu, pela primeira vez, nas quatro décadas de democracia em Portugal, o evento relativo ao funeral do primeiro presidente civil, eleito democrática e diretamente pelo povo Português, o ilustre Dr. Mário Alberto Nobre Lopes Soares, conhecido, ecumenicamente, apenas, por Mário Soares, que desempenhou os mais altos cargos ao serviço de Portugal.
Seguramente que não estou habilitado: histórica, científica e politicamente, a escrever o que quer que seja, sobre a vida, obra e atividades destes ilustre Português, mas, mesmo assim, quero arriscar, um pequeno contributo, numa breve apreciação à forma como decorreu o seu funeral de Estado. Em breves parágrafos, diria que foi impressionante e que, a quem teve o privilégio de participar, tal como eu, neste triste evento, jamais esquecerá as manifestações populares que, espontaneamente, se revelaram em todo o cortejo fúnebre, pela cidade lisboeta.
Começarei por destacar a rigorosa organização das cerimónias fúnebres, nas quais, e para além de altas individualidades de diversos países, participaram as entidades nacionais, ao mais elevado nível dos Órgãos do Estado, em cujos rostos dessas pessoas se podia ler a mais impressionante dor e consternação, profundo recolhimento e um respeito sem limites.
No que concerne às diversas Forças Militares, Militarizadas e Civis, é da mais elementar justiça destacar o aprumo, o profissionalismo, o espírito de missão e o apreço que ao longo do cortejo iam manifestando, numa situação tão delicada, como pouco frequente e, acima de tudo, o rigor revelado. Ninguém pode ter dúvidas que Portugal tem Forças Armadas, Militares, Militarizadas, Civis e Organizações Não Governamentais, do melhor que há no mundo.
Analisemos, agora, brevemente, o comportamento do povo anónimo: simplesmente, comovente, autêntico e de verdadeira consternação. Cravos vermelhos e rosas amarelas foram os símbolos que se utilizaram nesta última homenagem ao maior democrata e defensor da liberdade do século XX, em Portugal, e não só. Palavras de ordem político-partidárias praticamente não se ouviram, mas, pelo contrário, a mensagem de gratidão e reconhecimento a este Homem que sacrificou os melhores anos da sua vida, e da sua família, pelos valores da democracia: Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Respeito pelos Adversários.
Dezenas de milhares de pessoas não se cansaram de proclamar o slogan mais belo que algum democrata poderia receber: “Soares é Fixe”, sim, concorde-se, ou não, com muitas das suas posições, medidas que tomou e intervenções que realizou, criticando-se, com muita ou pouca razão, o processo de descolonização, a verdade é que sempre estivemos perante um Homem leal, que exerceu a sua influência no seio do povo, assumindo-se como um dos maiores estadistas mundiais do século XX e disso, tirando proveito para o seu país e, consequentemente, para todos os Portugueses.
Certamente que, na distância do tempo, a História o julgará, porque o Povo já o fez durante os três dias de luto nacional, por ocasião das cerimónias fúnebres que levaram o seu corpo para o Cemitério dos Prazeres em Lisboa, onde ficou depositado, em jazigo de família, justamente ao lado de sua esposa, Maria de Jesus Simões Barroso Soares, outra lutadora pela Liberdade.
Resta-nos, agora, HOMENAGEAR, com saudade e respeito; honrar e evocar a sua memória, acreditar que outros Homens deste “quilate”, surjam no panorama político nacional e internacional, porque o Mundo está carenciado de pessoas superiores, de Livres Pensadores, de defensores dos mais elementares Direitos Humanos, entre os quais: Solidariedade, Liberdade, Lealdade, Democracia, Respeito, Gratidão, Desenvolvimento, Justiça, Equidade, Segurança, Tranquilidade, Felicidade e Paz. Afinal: “SOARES É FIXE”.

Curve-se por favor: https://youtu.be/DdOEpfypWQA

Gratidão. «Proteja-se. Vamos vencer o vírus. Cuide de si. Cuide de todos». Aclamemos a vida com esperança, fé, amor e felicidade. Estamos todos de passagem e no mesmo barco. Perdoemo-nos uns aos outros e alimentemos o nosso espírito com a oração e a bela música.


Venade/Caminha – Portugal, 2020
Com o protesto da minha permanente GRATIDÃO

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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